Se você navega na internet, deve garantir que faz isso com privacidade. A Mozilla é preocupada o suficiente com o assunto para implement...

Extensões para mais Privacidade - Firefox

    Se você navega na internet, deve garantir que faz isso com privacidade. A Mozilla é preocupada o suficiente com o assunto para implementar, no Firefox, algumas ferramentas nativas contra até mesmo as 'ameaças' mais recentes. No entanto, ninguém é perfeito, muito menos um navegador que tem que se preocupar com acessibilidade para usuários mais leigos e questões comerciais. Ainda bem que nós temos as extensões para implementar mais funcionalidades e garantir mais um pouco de controle sobre os dados que deixamos pela internet.

    É claro que não estou falando de redes sociais, para elas nós entregamos os dados voluntariamente. A questão é que um blog ou outro tipo de site que você entra pra ver algo por três minutos e nunca mais voltar não deveria saber  quais são seus gostos pessoais, que outros sites você frequenta e etc... Ah não ser que você queira que eles saibam. Mais importante ainda, é vital garantir que ninguém tenha acesso aos formulários que você preenche pela internet (seu nome, cep, número do cartão, etc...);

    Por isso vamos falar aqui de extensões para o Firefox que aumentam a sua privacidade e o conceito por trás delas ou de qual tecnologia é utilizada para te defender. Elas estão listadas aqui por ordem de simplicidade e importância, então as primeiras devem ser as mais fáceis de usar enquanto as últimas serão aquelas um pouco mais chatas de configurar.

 

HTTPS Everywhere

    O mais simples e mais necessário. Caso não conheça, HTTPS (Hyper Text Transfer Protocol Secure) é, basicamente, um protocolo utilizado em 'sites' para encriptar a conexão com o seu computador. É uma versão (muito) melhorada do antigo HTTP, que não era tão bom em cuidar dos dados assim.

    Quando você acessa um site não devidamente encriptado (ou seja, que usa HTTP), está se expondo e deixando seus dados muito vulneráveis, uma vez que é possível ver informações sensíveis, como qual parte específica de um site você está acessando e o que está sendo escrito nos formulários. Um prato cheio para qualquer pessoa mal intencionada. O pior é que não é nem tão difícil se aproveitar dessa vulnerabilidade: utilizando um Pineapple wi-fi, basta se conectar numa rede pública e você terá acesso aos dados de conexão dos outros usuários. Daí vem a importância do site usar HTTPS, pois um criminoso poderá até conseguir seus dados, mas com eles encriptados... Não serve pra nada.

    Deixando mais claro: formulários são aquelas caixinhas nos sites onde escrevemos e apertamos algum botão para 'enviar' o conteúdo, o que vai de um comentário nesse post até informações do seu cartão de crédito durante uma compra. Quando você envia o conteúdo de um formulário num site HTTP, ele receberá a informação não encriptada - então qualquer pessoa que consiga ela vai saber exatamente o que é. Se você enviar um conteúdo num site HTTPS, a informação já sairá protegida e o cenário dos dados criptografados se repete.
    Da mesma forma, a falta dessa camada extra de criptografia permite que você seja rastreado muito facilmente. Por exemplo: o twitter é um site HTTPS, então quando você o acessa, eu posso estar analisando a rede e vou apenas saber que você está no twitter. Se fosse um site HTTP, eu poderia saber exatamente qual tweet ou conta você está olhando, uma vez que a URL toda é repassada.

    De uns tempos pra cá, a importância do HTTPS ficou cada vez mais óbvia e há um esforço coletivo para que todos os sites utilizem esse protocolo. Mas claro, sempre fica alguém para trás. Muitos sites ainda tem uma versão HTTP e outra HTTPS, e você pode acabar entrando na menos segura se não prestar atenção. Inclusive, é para isso que serve aquele cadeado do lado da URL - ele mostra se o site é seguro ou não.

    Enfim, foi justamente para você não ter que ficar olhando para esse canto específico da tela toda hora que surgiu o HTTPS Everywhere - uma extensão para Firefox que sempre te redireciona para a versão HTTPS de um site (considerando que exista uma). Assim, você se garante o conforto de saber que estará sempre usando uma conexão devidamente criptografada. A extensão é bem simples, eu até esqueço que ela existe. Basta instalar e decidir se você quer uma versão mais restrita ou mais branda. Há, se por algum motivo a versão HTTP de um site ser a única utilizável, você pode desativar ela nesse domínio especificamente.
     ÓBVIO que isso não te deixa imune e você ainda é suscetível à algum erro seu ou de quem fez o site, mas não vamos facilitar a vida dos criminosos, né? Taca essa extensão aí e impeça algum otário de conseguir suas senhas sem esforço nenhum.

    Inclusive, acho que essa extensão deve existir para outros navegadores.

History Cleaner

    Ok, esse não é realmente tãããão necessário assim. É mais mais uma questão pessoal. Veja bem:  eu odeio quando vou digitar o endereço de um site e aparece como sugestão alguma coisa que acessei há 3 anos atrás. Não é só uma questão de que o seu navegador pode sugerir uma coisa que você não quer acessar mais, como também de que é estranho ter tanto do seu histórico na internet armazenado e ocupando espaço. Para mim, ter isso armazenado tem mais riscos do que benefícios. Por isso essa extensão me ajudou bastante.

    History Cleaner é uma extensão bem simples que exclui automaticamente o seu histórico de acordo com um período selecionado por você. Basta instalar e escolher se quer excluir o histórico a cada 1 ano, 1 mês, 1 semana, etc... e pronto!

ClearURLs

    Quando você clica num link para um site, dificilmente está clicando só em um link para um site. Você estará indo para esse site carregando consigo, através da URL do link, geralmente informações como através de qual site você chegou no link (conhecido como 'refer'). Às vezes você realmente quer passar essa informação para um site, como exemplo quando clica no link de um blogger ou influencer para comprar algo em uma loja - assim a empresa saberá que você chegou lá através da #publi. Mas nem sempre esse é o caso.

    Para evitar que sites te rastreiem por aí através de URLs e poder ver com estatísticas quantos elementos de URLs foram bloqueados, use ClearURLs, disponível para Firefox e retirado da loja de extensões do Google Chrome porque impede que o Google te rastreie por aí por razões desconhecidas.

    ps: se você for assistir algum vídeo no google drive, por enquanto é necessário desativar essa extensão para que o vídeo possa ser reproduzido. Você pode desativar ela com literalmente dois cliques.

Cookie AutoDelete/Cookie Quick Menager

    Essas são duas extensões que cuidam dos Cookies do seu navegador. Uma exclui eles automaticamente e outra permite que você gerencie eles de forma simples. Não vou falar agora qual é qual, tome o tempo que quiser para descobrir.

    Mas o que são Cookies mesmo?  Um 'Cookie' é um pequeno arquivo de texto armazenado no seu PC pelo navegador que é utilizado por sites para obter certas informações necessárias para melhorar o funcionamento dele e outras para saber algumas coisas sobre... Você. Um site pode armazenar cookies para saber quais páginas você visitou (como uma loja que te sugere produtos como algum que você visitou), links que clicou, suas preferências de configuração, seu login e até para saber que você não quer cookies.

    Para ter eles excluídos automaticamente após alguns dias, você pode baixar o Cookie AutoDelete. Se quiser gerenciar seus cookies e ver quanto cada site gasta com armazenamento, podendo excluir vários de uma vez, use o Cookie Quick Menager.

Privacy Badger

    Quando você acessa um site, dificilmente está se conectando só a ele. Olhando no canto inferior esquerdo você pode ver outros sites estabelecendo conexão com você, como: Google Fonts, Google Analytics, Google Adsense... A Google no geral. Também são comuns Redes Sociais, Amazon, etc... Essas conexões podem ser feitas para dar estrutura à página que você está acessando, colocar propagandas ou... Coletar informações sobre você.

    O Privacy Badger permite que você escolha QUAIS dessas conexões são permitidas e quais serão bloqueadas, permitindo ainda um meio termo para impedir que os sites da onde vem essas conexões criem cookies sobre você.

    Essa extensão é ótima para desativar propagandas já que ativa diretamente "na fonte". Eu utilizo o Privacy Badger e costumo usar a opção de desativar seus efeitos em alguns sites que visito frequentemente e gostaria de ajudar financeiramente, assim posso ver propagandas na página e gerar um pequeno dinheiro para os donos.

    O Privacy Badger pode acabar quebrando alguns sites já que limita as conexões, então você pode desativar apenas nesse site com apenas um botão para utilizar ele normalmente e continuar protegida nos outros sites.

Disconnect

    Semelhante ao Privacy Badger, mas com menos controle (portanto mais simples de controlar) e mais estatísticas. Uau, estatísticas!

DecentralEyes

    Sabe aquilo que falei antes de alguns sites quebrarem quando certas conexões são interrompidas? O DecentralEyes tenta ajudar nessa situação. Essa extensão vem com vários conteúdos amplamente utilizados pela internet e permitem que seu computador possa utilizar esses recursos a partir de uma fonte local (ele mesmo) ao invés de ter que se conectar a outro servidor e acabar repassando informações pessoais.

Firefox Relay

    Ok, esse eu não tive a oportunidade de testar ainda porque é uma novidade, mas parece extremamente promissora. Desenvolvida pela própria Mozilla, essa extensão permite a criação rápida de um email com domínio @relay.firefox.com que, ao receber alguma mensagem, repassa ela para seu 'verdadeiro' email. Você também pode deletar os emails do Relay sempre que quiser, o que permite que você se cadastre com mais tranquilidade em um daqueles sites que nunca vai usar. Outra função é usar esse email para receber aqueles arquivos só disponíveis por email, como ebooks.

NoScript 

    Essa extensão não é para o público geral. Como a internet em quase sua totalidade utiliza Javascript, essa extensão que desabilita a linguagem nos sites certamente vai causar problemas. Ela é especialmente útil para evitar uma técnica de identificação chamada fingerprinting ('impressão digital'), onde um site pode identificar usuários normalmente anônimos através de configurações únicas do dispositivo utilizado. É preciso reforçar que isso é algo muito fácil de fazer - com algumas simples linhas de códigos de js é possível obter dados como: resolução da tela, fontes disponíveis, qual o navegador e sua versão, linguagem do sistema, etc... Quanto mais informações coletadas, mais fácil é diferenciar você de outros usuários.
    É uma extensão muito boa para te proteger, mas seu uso só é recomendado caso você entenda o que está fazendo e seja paciente.

Bônus: Firefox Monitor

    Não é uma extensão, mas é uma ótima ferramenta! O Firefox Monitor é um lugar onde você pode colocar seu email e eles te avisarão caso ele apareça em algum vazamento de banco de dados, incluindo quais informações foram vazadas. Eles trabalham juntos com sites que analisam os bancos de dados vazados e, quando possível, diretamente com o site alvo do ataque.
    Sendo avisado que seus dados de algum site foram vazados, você pode agir o mais rápido possível para mudar os lugares que utilizam a mesma senha, resetar seu ip, etc...

    Utilizando essas extensões e tomando cuidados básicos como usar senhas longas, não repetir elas e manter seus softwares/aplicativos atualizados já ajudam muito. Se você quiser quanta informação de você um site consegue tirar, existem ferramentas online que testam seu navegador e te recomendam ferramentas próprias para cada problema. Um exemplo é o Cover Your Tracks.

      Queen é uma banda muito foda. Nas palavras ditas no podcast Troca o Disco, "Cada um dos integrantes dominava seu respectivo instr...

As incríveis semelhanças entre Queen e Legião Urbana




     Queen é uma banda muito foda. Nas palavras ditas no podcast Troca o Disco, "Cada um dos integrantes dominava seu respectivo instrumento". Os caras tinham um som muito variado, sabiam escrever letras tocantes e tinham uma performance absurda, entregando todo o sentimento que as músicas pediam. É uma das bandas que mais vendeu discos no mundo, não a toa existe uma disputa para saber quem herdou o trono do Queen.
    O que muita gente não sabe é que, apesar de tudo, os membros não eram deuses que seguiram uma linha direta para o sucesso. Eles passaram por poucas e boas antes e depois da formação da banda, incluindo situações monetárias lamentáveis, escolhas ruins e brigas, muitas brigas. Mesmo assim, eles conseguiram passar por tudo e se consolidar na mente de seres humanos e críticos como uma das maiores bandas que já existiu.

    Legião Urbana.. é uma banda que todo brasileiro conhece, né? Enfim, eles passaram por menos problemas durante a carreira do que a galera do Queen, tirando o Renato Russo. Isso porque o Marcelo Bonfá e o Dado eram playboys, e também porque o Renato Rocha saiu cedo demais pra acontecer alguma merda. A banda teve a sorte de poder contar com seus padrinhos, Os Paralamas do Sucesso, na hora de contatar gravadoras e, a partir do sucesso estrondoso do primeiro disco, o resto foi relativamente suave.

     Mas é engraçado como a vida é. Mesmo sendo bandas tão diferentes, com estilos diferentes e em lugares totalmente diferentes, existem algumas semelhanças interessantes na história das duas bandas. Claro que tem todo aquele lance da mente humana ter facilidade para encontrar padrões: nós tentamos encontrar padrões e ignoramos fatores que demonstrem a falsidade deles. O podcast 'Boa Noite, Internet' tem um ótimo episódio sobre isso.

    Enfim, vamos às coincidências.

Procura-se um baixista

  
    Quando Freddie Mercury entrou para a banda Smile, que ele era fã, ficou muito feliz. A única coisa ruim é que ele tinha entrado logo depois do baixista ter saído. Assim, Freddie, Roger Taylor e Brian May contataram amigos e fizeram ensaios para encontrar algum baixista que se encaixasse na banda. Alguns até se deram bem e ficaram por um tempo, mas saíram por causa das diversas brigas entre May e Mercury ou porque não curtiam a sonoridade da banda. Até engraçado que eles diziam precisar do 'estereótipo' de baixista: quieto e anônimo como todos deveriam ser. É ai que entra John Deacon e sua performance perfeccionista. Ele caiu como uma luva na banda, tanto que era o 'líder' do grupo: era atento às finanças, apaziguava brigas, tocava os ensaios pra frente...

    E com Legião Urbana não foi diferente. Marcelo Bonfá e Renato Russo já eram músicos com um bom histórico de apresentações, mas precisavam de um guitarrista. Dado era conhecido dos dois e sempre teve vontade de tocar em uma banda, então os dois o convidaram e lhe ensinaram (!!) a tocar guitarra (o primeiro álbum tem uma guitarra bem simples). Ai já eles já tinham o trio completo, estava tudo perfeito... Só que um pouco antes das gravações do primeiro disco, Renato Russo cortou os pulsos em uma tentativa de suicídio e, por causa disso, não conseguia tocar baixo mais. Então eles chamaram Renato Rocha para tocar no lugar e ele ficou até o 3º disco devido algumas desavenças.

    Olhando agora, é engraçado como Deacon e Rocha são totalmente opostos. Um é caseiro, quietinho e bebe nos fins de semana enquanto o outro ia pra festas regadas de drogas, quebrava tudo (literalmente) e andava com uma gangue. Foda.


Relacionamento passivo agressivo com a critica


    Tem alguma banda adorada pela crítica? Se tiver, com certeza nenhuma delas é Legião Urbana ou Queen. Freddie Mercury e seus amigos eram odiados pela crítica especializada desde o início da carreira. Foram chamados de pretensiosos, esnobes e até fascistas. Muitos trabalhos deles, inclusive após o ápice da carreira da banda, foram massacrados pelas revistas... Com uma certa razão, né. Como eu disse antes, Queen sofreu por más decisões da equipe.
    Com Legião Urbana a história foi um pouco diferente, mas só no início.

    A banda de Renato Russo tinha uma relação boa com a crítica especializada por copiar se inspirar em tantas bandas de sucesso do exterior, como P.I.L., Ramones e Neil Young. Mas a verdade é que já tava ficando chato. Depois de três álbuns bem recebidos e avaliados de forma positiva, havia a impressão de que a banda era impecável e/ou que os críticos estavam puxando saco dela. Segundo Renato Russo, eles queriam cair matando em cima do próximo álbum do grupo, mas... Não rolou. 'As Quatro Estações' foi o disco de maior sucesso da Legião e era impossível falar mal dele sem ter falado mal dos anteriores: das 11 músicas presentes no álbum, 6 viraram hits.
    Assim, o sentimento foi postergado e V, 5º álbum da banda, foi amplamente criticado e considerado o mais fraco até então. Nas palavras de Renato, "O álbum não era importante, qualquer coisa que nós fizéssemos seria massacrada".
   

 A morte prematura do vocalista e o álbum póstumo

     Boy, that scaled quickly.
 
     Nos anos 90, ambos Renato Russo e Freddie vieram a falecer. Ambos, já sabendo do diagnóstico positivo para HIV, conduziram a produção de um álbum e deixaram material para um próximo, que infelizmente seria póstumo.
 
    No caso do Queen, o álbum 'Innuendo' contou com clipes  e hits como 'The Show Must Go On e 'These Are The Days Of Our Lives', músicas celebradas até hoje principalmente pela performance vocal de Freddie. Ele morreu pouco tempo depois do lançamento, mas já tinha deixado vários materiais gravados para a produção de uma sequência: Made in Heaven, que contou com remix de trabalhos solos e apresentações simbólicas da banda. É um álbum lindo que eu vou evitar de comentar muito porque tem um post pra ser feito só sobre ele, mas recomendo muito que ouçam.
 
    Com o Legião Urbana não foi diferente. Até porque se tivesse sido, esse post não existiria. A produção do álbum A Tempestade foi bem complicada. Renato não conseguia mais gravar as faixas de áudio para o produto final e só ficava em casa devido ao estado de saúde. Um clima triste e pesado predominava no estúdio, ao ponto dos outros membros da banda nem gostarem de ficar muito tempo lá. O álbum foi um sucesso (como todos os outros) e foi o primeiro a não contar com a frase Urbana Legio Omnia Vincit (Legião Urbana Vence Tudo, em latim) em seu encarte. Renato morreu no mesmo ano e a banda encerrou suas atividades logos depois. Mas não foi o último álbum que eles lançaram, até porque, devido ao contrato com a gravadora, precisavam produzir mais 3. Nove meses após a morte do vocalista, Legião Urbana lançou o álbum Uma Outra Estação, com músicas que contavam a história da banda, incluindo covers e até músicas inacabadas por falta de tempo. Na capa do álbum há uma das pinturas do baterista Marcelo Bonfá, que Renato Russo adorava. A ilustração é de Brasília, cidade que originou a banda e que estampava o fundo do primeiro álbum. O encarte de Uma Outra Estação contou também com a merecida volta da frase Urbana Legio Omnia Vincit, agora mais verdadeira do que nunca.
    
 
 
    Qual o objetivo desse texto? A vida é cheia de coincidências e eu queria expor as que eu acho mais curiosas aqui. Se há uma lição a ser extraída do texto, ela é: ouça Made in Heaven e Uma Outra Estação, você merece.


Pintura por: Leonid Afremov Studio      Ibizar bar é um bar e restaurante localizado em nenhum e todos os lugares ao mesmo tempo. De fato, ...

Ibiza Bar, o restaurante onipresente

   Ibizar bar é um bar e restaurante localizado em nenhum e todos os lugares ao mesmo tempo. De fato, é uma das poucas coisas no universo com reconhecida onipresença, assim como as impressoras que param de funcionar e nunca mais são consertadas.
    Esse bar pode aparecer para você em qualquer momento e lugar. Nunca traz nenhuma mensagem especial ou significado obscuro, apenas surge aleatoriamente e some depois de algum tempo. Quando puder, entre, peça uma bebida [NÃO PEÇA SUCO DE GRAVIOLA] e tire um momento para descansar da sua estressante linha do tempo.

    Não se sabe da onde o Ibizar Bar veio ou de quando é. De tempos em tempos alguém joga a ideia de perguntarem para o dono e único garçom oficial do local sobre as origens do estabelecimento, mas o mesmo foi ao banheiro há alguns anos e nunca mais voltou. O papel de servir as pessoas desde então é revezado entre os mais solidários do local e tem como única remuneração o privilégio de ser o primeiro a saber de alguma história bizarra ou fofoca.
 
    No Ibiza bar, é possível conversar com sua versão de outra dimensão ou até você mesmo do futuro/passado (sempre será os dois ao mesmo tempo). Essas conversas costumam ser muito raras, fazendo os outros visitantes se unirem em torno dos sortudos para acompanhar uma bela conversa entre um ser e sua outra versão em um momento diferente da mesma vida, o que geralmente termina em um debate político.
    Você também pode conversar com outras formas de vida ou humanos do passado/futuro e pedir uma recomendação de comida, o que é uma garantia de surpresa e, na maioria dos casos, arrependimento. 
 
    Já dormiu e acordou em outro lugar? No Ibizar Bar, você não precisa nem encher a cara para que isso aconteça. Ao olhar por uma das janelas você pode ver onde o bar está parado atualmente. Nota: é permitido fechar as cortinas caso o lado de fora seja muito perturbador. 
    Quando for sair, olhe bem para onde está indo. Se quiser entender a importância disso, pergunte sobre o que aconteceu em Dezembro de 2000.

    A música do bar é sempre é uma surpresa. Você pode ter a sorte de ouvir um som de Apolo, Glacmolöc, a destruidora ou até mesmo uma performance ao vivo dos Beatles tocando Everyday Chemistry. Infelizmente, devido alguns problemas ocorridos em 2009, a gravação de shows agora é terminantemente proibida.
    Em Ibiza Bar, os grupos se misturam, apesar de se manterem separados na maioria das vezes. O clima sempre é de festa, apesar de uns poucos momentos de comoção e silêncio. Devido à comida e bebida ilimitada, sempre há sorrisos e abraços, mas ninguém fica lá para sempre. Eventualmente, todos deixam Ibiza Bar.

    Num canto você encontrará pessoas de Setealém, no outro, fãs de futebol americano, criaturas tão estranhas quanto. Não é recomendado ficar encarando outros visitantes, você nunca sabe se algum deles pode ir tirar satisfação fora do bar, que é à prova de brigas.
    Em Ibiza bar, nas quinas escuras, existem pessoas da sombra, feitas de escuridão. Existem também aqueles que, sozinhos, encaram sua bebida e ruminam sozinhos. Estes são feitos de solidão.

    Você já deve ter encontrado por aí alguém que é muito fã de uma marca de celular, do tipo que comemora quando ela lança um produto que a...

Empresas e seus produtos, os novos times de futebol

    Você já deve ter encontrado por aí alguém que é muito fã de uma marca de celular, do tipo que comemora quando ela lança um produto que a pessoa não chega nem perto de poder comprar. Ou então aquela pessoa que é fã de um serviço de streaming ao ponto daquilo fazer parte de sua personalidade. Ou ainda alguém que escolheu um "lado" na indústria de consoles de vídeo-games e vive defendendo aquela empresa na internet. Todas essas pessoas não são exceções - mas sim o comum na nossa sociedade. O capitalismo se alterou com o tempo e se transformou nesse sistema onde símbolos e valores são os fatores mais importantes para uma empresa, ao ponto de nos fazer torcer por elas.

    Esse tema foi amplamente abordado pelo fotógrafo, sociólogo e filósofo francês Jean Baudrillard, criador e divulgador de conceitos como 'hiper-realidade' e 'simulacrum', além de ter inspirado o filme Matrix (que ele não curtiu muito, diga-se de passagem). Baudrillard se debruçou sobre o que chamava de 'sociedade pós-moderna' e seus mecanismos. Juntos desses mecanismos, vamos olhar outros motivos pelo qual viramos "fã" de empresas.

Uma sociedade definida pelo consumo

     Para Baudrillard, a sociedade deixou de ser metalúrgica, onde o valor de um item é relacionado ao seu uso, e se transformou em 'semiúrgica', onde o valor de um item é atribuído e acordo com seus símbolos - a mensagem que ele passa. Da mesma forma, o proletariado não é mais uma força de trabalho, mas sim de consumo. Vivemos para comprar o trabalho de outras pessoas, que então compram o trabalho de outras pessoas, e assim a 'roda' do mercado continua a girar. Por tanto, consumir é nosso dever, uma obrigação moral com a sociedade.

    Por isso mesmo nossas vidas se tornaram tão voltadas ao que podemos consumir. Afinal, produtos se tornaram indicadores de ideais. Uma roupa da Supreme de 500 dól é muito mais do que um tecido recortado, costurado e pintado - é também um indicador de status, de estilo e modo de vida.
    Comprar agora é uma forma de se expressar e, por tanto, há uma demanda por identificação. Um exemplo claro são os desodorantes: as marcas se desdobram para falar com grupos específicos. Tem comercial voltado para mulheres fortes, para homens "machos" e até [seja lá quem goste dessa banda].
    Assim, já que aquilo que compramos é definido (e acaba moldando) nossa identidade, ter várias opções de marcas disponíveis agora é nosso conceito de liberdade, mesmo que no fundo todas pertençam às mesmas empresas.
    Como diria Humberto Gessinger na música No Meio de Tudo, Você:

Selva
A gente se acostuma a muito pouco
A gente fica achando que é o máximo
Liberdade pra escolher a cor da embalagem

    Como marcas fazem parte da nossa identidade, é muito mais fácil se apegar a elas e sentir algo especial por uma empresa que só quer tirar dinheiro de você (como todas as outras, porque é isso que empresas fazem).

'Escolha um lado'


    Não é segredo: nada faz as pessoas se unirem mais do que um rival, e o mercado sabe se aproveitar muito bem disso. Se você gosta de X e de repente tem um rival Y, não só vai passar a gostar mais de X como também irá se identificar mais com outros consumidores como você. Essa criação de um laço com a empresa e seus outros consumidores é extremamente benéfico para uma marca e sua imagem... Bem, na maioria das vezes.

    Se você acompanha o mundo dos jogos no Brasil, deve conhecer o famigerado fã-clube da Microsoft que perseguia pessoas online e fazia piadas racistas - tudo isso para defender a glória do Xbox contra a diabólica Sony e seu Playstation. O fanatismo dos caras por um console de vídeo game era tanto que eles criaram esse grupo hostil, que por muito tempo contou com apoio da própria Microsoft.

    Mas as coisas nem sempre são tão extremas. É comum ver aquelas discussões  acaloradas sobre empresas de celular: o xiaominion, o fã da Samsung, o fã da Apple... Sempre comparando tempo de bateria, qualidade da tela e outras coisas que serão irrelevantes daqui 2 anos. A questão é que, não surpreendentemente, a pessoa fã de uma empresa é condicionada a continuar comprando dela, mesmo que a concorrência tenha um produto um pouquinho melhor. Por quê? Bem, primeiro pelo lance da identificação citado anteriormente, mas não podemos ignorar o papel da concorrência/'inimigo' na mentalidade das pessoas.

É real, só que não

    Voltando para Baudrillard, um conceito fortemente defendido pelo sociólogo era o da 'Hiper-realidade'. A noção de que somos bombardeados com informações tão fortes que elas substituem nosso conceito daquilo que é real. Quero focar aqui mais especificamente naquele que mudou nossa relação com o planeta: a disponibilidade de bens.

Foto de PixaBay

    A maioria de nós nasceu e cresceu nessa sociedade onde, se você precisa de algo, vai em um supermercado ou shopping. Como disse Ailton Krenak, vivemos em um tipo de 'mundo mágico' onde o arroz, o leite e os produtos eletrônicos simplesmente aparecem nas prateleiras, prontos para serem consumidos. Claro que você sabe que as coisas não simplesmente aparecem, a questão é que vivemos longe de pensar na cadeia de produção desses itens e seus efeitos todos os dias - não temos um tato com a fonte desses recursos. Isso corrompe nosso relacionamento com o planeta terra, que "dá" esses recursos, e beneficia empresas, que se passam por provedoras daquilo que nos é necessário para sobreviver.

Palavras Finais 

     Leia Baudrillard. A ideia por trás desse post só surgiu depois de eu ler suas ideias, e mesmo assim não cheguei perto de passar o conteúdo que absorvi lendo sobre o cara. Minha principal fonte foi esse ótimo artigo científico (em português!), além de outros citados no texto. Tive o prazer de conhecer a filosofia pós-moderna através do canal de youtube Jonas Čeika - CCK Philosophy e seu excelente, além de um pouco deprimente, vídeo "Os Simpsons e a Morte da Paródia" (em inglês, mas dá pra colocar tradução nas legendas automáticas).

Recomendações/Fontes:

     Recentemente acabei de ler Território Lovecraft. Eu não sei o que esperava, mas acabei me surpreendendo mesmo assim. A história, divida...

Território Lovecraft para 3D&T e Ratos nas Paredes


  

  Recentemente acabei de ler Território Lovecraft. Eu não sei o que esperava, mas acabei me surpreendendo mesmo assim. A história, divida em vários contos, é gostosa de acompanhar e possui ótimos personagens para lhe sustentar. Mesmo tratando de um tema pesado como o racismo (cujo terror muitas vezes ultrapassa aquele representado por monstros), o livro é uma leitura leve e fácil de se deixar levar. Tive oportunidade de ler durante o carnaval numa casa de praia e recomendo demais a experiência - é uma aventura deliciosa.

    Uma das coisas que mais gostei é de como o livro, e principalmente o primeiro conto, se assemelha a uma aventura de RPG, com vários testes e uma "jornada" com objetivo bem definido. Pensando nisso, pensei: "por que não fazer uma adaptação de alguns conteúdos do livro para sistemas de RPG que ando estudando?". Aqui estão os resultados do que vim matutando desde que decidi fazer esse post.

    Os personagens são descritos no estado que se encontram no início do último conto, mas a sessão de feitiços contem spoilers sobre o fim do livro, então recomendo só passar aqui quando já tiver por dentro do que rola.

Personagens 


Atticus Turner

    Atticus é nosso protagonista. Um cara decidido, forte e muito esperto (sério, a inteligência dele é de espantar, o cara consegue sacar as coisas muito rápido). Ele é descendente de um poderoso feiticeiro e por isso tem seus poderes cobiçados por ocultistas de todo o país, mas ele não vai deixar que algo aconteça com ele e, principalmente, com sua família.
 
 Ratos nas Paredes

Profissão: Soldado

Reputação: Cosmopolita

Atributos
Músculo: 1
Destreza: 0
Violência: 1
Raciocínio: 2
Vontade: 1

Atributos Secundários
Pontos de Vida: 12
Pontos de Sanidade: 11

Armas
Colt Calibre .45 - 1d6 de Dano

Recursos
    Linhagem Mágica: Atticus não conhece nenhum feitiço, mas tem facilidade para executa-los [sempre recebe +2 nos testes de vontade para lançar um feitiço]. Ele também consegue ler, falar e escrever na língua de Adão se tiver contato com qualquer ritual, item mágico ou feitiço.

 3D&T Alpha

Atticus Turner (10 pts): F0, H2, R1, A0, PdF2; 5 PVs, 5 PMs; Adaptador(1pt), Magia Branca(2pts), Magia Negra(2pts), Ataque Múltiplo(1pt); Má Fama(-1 pt).

Letitia Dandrige 

    Letitia é esperta, rápida e teimosa. É fácil se impressionar com a extensão de sua força de vontade, capaz de fazer os mais rabugentos espíritos aceitarem suas propostas. Segundo a mesma, é protegida por Jesus e daí vem a sua famosa sorte.

Ratos nas Paredes

Profissão: N/A

Reputação: Sortuda (ou é Jesus?)

Atributos
Músculo: 0
Destreza: 1
Violência: 0
Raciocínio: 1
Vontade: 3

Atributos Secundários
Pontos de Vida: 10
Pontos de Sanidade: 13

Armas
Faca - 1d6 de Dano

Recursos
Vontade de Ferro

 3D&T Alpha

Letitia Dandrige (8 pts): F0, H3, R1, A1, PdF1; 5 PVs, 5 PMs; Aliado - Fantasma de Winthrop(1pt), Arena - Casa Winthrop(1pt), Parceiro(1pt); Má Fama(-1 pt).

 George Turner

 Ratos nas Paredes

Profissão: Jornalista

Reputação: Cosmopolita

Atributos
Músculo: 1
Destreza: 1
Violência: 0
Raciocínio: 1
Vontade: 1

Atributos Secundários
Pontos de Vida: 11
Pontos de Sanidade: 11

Armas
Colt Calibre .45 - 1d6 de Dano.

3D&T Alpha

George Turner(8 pts): F0, H1, R1, A0, PdF2; 5 PVs, 5 PMs; ; Má Fama(-1 pt); Geografia, Navegação, Condução.

Feitiços


Palavra de Adão: Luz

    Para realizar essa magia, é necessário que o feiticeiro esteja no centro de um círculo com palavras da língua de Adão específicas e tenha uma fonte de energia (como o cilindro com tampa de cristal utilizado no livro). Quando o feiticeiro fizer cortes nas mãos e pronunciar as palavras na língua de Adão, uma luz muito forte será emanada do lugar onde ele está apontando e um véu de sombras cobrirá sua visão. Qualquer outra pessoa presente no recinto que veja ou tenha contato com a luz se tornará em pedra.

Palavra de Adão: Luz para 3D&T

Escola: Branca
Custo: 0
Alcance: curto; Duração: Sustentável

Palavra de Adão: Sombra

    Para essa magia, basta saber pronunciar a língua de Adão. Quando o feiticeiro termina de pronunciar as palavras correspondentes na língua de Adão, o lugar para onde ele está apontando será tomado por sombras da onde sairão finos tentáculos escuros. Todos aqueles que estiverem no ambiente e fora de um círculo de proteção serão puxados para dentro da escuridão pelos tentáculos, onde terão um destino desconhecido.

Palavra de Adão: Sombra para 3D&T

Escola: Negra
Custo: 5 PMs por rodada
Alcance: curto; Duração: Sustentável

Círculo de Paralisação

    Um círculo de palavras na língua de Adão que paralisa todos que estiverem dentro dele até que o círculo seja desmanchado. Alvos da magia podem fazer um teste difícil de Vontade (RnP) ou Resistência (3D&T) para tentar se livrar do feitiço.

Círculo de Paralisação para 3D&T

Escola: Branca
Custo: 2 PMs por indivíduo afetado
Alcance: curto; Duração: Sustentável

Marca de Caim

    A Marca de Caim é uma marca de sangue geralmente feita apenas nos mais poderosos membros das ordens ocultistas. Ela garante invulnerabilidade contra qualquer tipo de dano físico, independentemente da fonte do dano. Essa invulnerabilidade pode se manifestar como: paralisação dos indivíduos agressores, desvio de projéteis de última hora, falha no equipamento de combate, etc...

    A marca pode ser feita com saliva (podendo ser remova facilmente por qualquer personagem ocultista quando tiver contato com o alvo) ou com sangue (podendo ser removida com conjuração de feitiço "remover marca" e uma rolagem de VONTADE)

Marca de Caim para 3D&T

Escola: Branca ou Negra
Custo: 30 PMs
Alcance: curto; Duração: Permanente... Até ser cancelada
 
    A marca pode ser feita com saliva (podendo ser remova facilmente por qualquer personagem com a perícia "Ciências Proibidas" quando tiver contato com o alvo) ou com sangue (podendo ser removida com conjuração de feitiço "Cancelamento de Magia")

Maldição Oportunista

    Uma maldição perturbadora que alimenta da paranoia ou sentimento de culpa da vítima para ataca-la. Trata-se de uma marca que utiliza tais sentimentos como energia para dar vida a objetos inanimados para que atormentem seu portador. A pessoa marcada também não consegue verbalizar que foi vítima do feitiço, mas pode comunicar isso através de escrita ou outras formas - ainda com uma certa dificuldade. Sempre que uma pessoa marcada tentar mostrar para alguém que está sendo afetada pela maldição, tem que fazer um teste de vontade para ver se conseguirá, caso contrário será acometida por vários incômodos pelo corpo (coceiras, ardências, falta de ar, etc...).
    Como o feitiço precisa se alimentar do medo e insegurança da vítima, a pessoa com essa marca perde 3 - VONTADE pontos de Sanidade por hora.

    A marca pode ser feita com saliva (podendo ser remova facilmente por qualquer personagem ocultista quando tiver contato com o alvo) ou com sangue (podendo ser removida com conjuração de feitiço "remover marca" e uma rolagem de VONTADE).

Maldição Oportunista para 3D&T

Escola: Branca ou Negra
Custo: 10 PMs

Alcance
: curto; Duração: Permanente... Até ser cancelada

    A marca pode ser feita com saliva (podendo ser remova facilmente por qualquer personagem com a perícia "Ciências Proibidas" quando tiver contato com o alvo) ou com sangue (podendo ser removida com conjuração de feitiço "Cancelamento de Magia").

  In-senso 10 - A transcendência da música humana (Esse era o título original, mais focado em esclarecer qual seria o tópico abordado e meno...

Pauta do In-senso 10 - Se Meu Robô Tivesse Uma Banda

 


In-senso 10 - A transcendência da música humana

(Esse era o título original, mais focado em esclarecer qual seria o tópico abordado e menos interessado em ser atrativo para o público)


Parte 1 - Contexto inicial: músicas criadas por Inteligências artificiais podem substituir as humanas?

O estado das IA's atualmente

    As Inteligências artificiais não só são uma realidade bem estabelecida, como já se ramificam por diversos setores da realidade, inclusive na indústria da música. Esses robôs são utilizados para categorizar músicas, facilitar o processo criativo e criar playlists. Mas a utilização que mais tem causado discussões recentemente é a criação de músicas novas.

    De fato, já existem músicas disponíveis nos serviços de streaming que foram criadas por uma inteligência artificial. A música Hello Shadow, criada pela IA do grupo Skygge, já acumula mais de 200 mil visualizações no youtube. Já a AIVA é uma inteligência artificial que cria trilhas sonoras para os mais diversos fins e está disponível para o público geral.

    Com esses fatores, a pergunta “a música criada por máquinas pode tomar o lugar da música criada por humanos um dia?”. De acordo com Yuval Harari, autor do best-seller Sapiens, robôs poderão sim, um dia, criar músicas que se tornem hits. O escritor vai mais fundo ainda e diz que no futuro, ao invés de ouvirmos músicas específicas para sentir algo, poderemos confiar em uma IA para criar uma música que nos deixe mais alegres, por exemplo, com base em análises de nossos comportamentos e respostas aos mais diversos estímulos, como certas palavras ou notas. Segundo ele, a música criada por inteligências artificiais poderá facilmente substituir a música criada por humanos.

O diferencial da humanidade - a resposta de Nick Cave

    Em seu blog para tirar dúvidas, Nick Cave, prolífico músico australiano, explicou porque - na sua visão - as máquinas jamais poderão fazer música como a que humanos fazem. Nas palavras do mesmo, “o que uma ótima música faz é nos trazer uma sensação de temor”, “Quando ouvimos um som, não estamos apenas ouvindo música, estamos também ouvindo o limite da humanidade e nossa audácia de transcendê-lo”, “Nós estamos ouvindo Beethoven cômpor a nona sinfonia enquanto quase totalmente surdo [...] Estamos ouvindo Nina Simone descontar sua raiva e frustração em uma canção carinhosa de amor [...] Estamos ouvindo Jimi Hendrix ajoelhar e botar fogo em sua própria guitarra”. Ele segue explicando que a as melhores músicas não só transmitem sentimentos, como também histórias e sensações que vão além da música em si - e por isso uma Inteligência Artificial poderia sim criar uma boa música, mas nunca uma ótima.

Parte 2 - Elaboração

    A partir dessa fala do Nick Cave, podemos pensar em outras diversas coisas que tornam as músicas criadas por seres humanos em coisas únicas. Músicas não só servem para passar sentimentos e, além de muitas terem suas próprias histórias interessantes por si só, também foram utilizadas para representar momentos históricos e movimentos sociais. Sem falar no aspecto das tradições e socialização. Em seguida, discutiremos um pouco mais sobre esses assuntos.

A música como fator histórico e suas raízes

Música, cultura e tradições

    Não é segredo que desde o início da sua existência o ser humano tem um apego à música, vide diversos instrumentos encontrados em sítios arqueológicos que são da era das cavernas. Assim, ela não só foi usada para levar à diante a cultura de determinado povo como também se integrou à elas, criando diversos ritmos e gêneros. A música por tanto, é, sempre foi e sempre será atrelada à história da humanidade e as fases pela qual certo grupo passa. Não só por poder representar o status quo, mas também por apresentar a capacidade de romper ele.

Música como instrumento de mudança

Cultura negra e revolta (jazz, rap, etc…)

    O Jazz é um gênero musical com inspiração em diversas fontes, mas tem como fonte principal os ritmos africanos. Era a música de um povo reprimido e injustificado que queria ter sua diversão.

    De forma semelhante, o hip-hop e o rap surgiram e se espalharam nas comunidades negras de periferia como forma de conscientizar e alimentar a revolta contra um sistema opressivo.

O Punk e a política britânica

    O punk, além de gênero musical, é também um movimento social caracterizado pela rebeldia juvenil e revolta contra valores morais decadentes da sociedade. Ele surgiu nos EUA, mas encontrou seu lar na Inglaterra onde se alimentou da raiva contra a opressão de estadistas como Margaret Thatcher.

MPB e a ditadura

    É notável a importância da MPB durante o período da ditadura no Brasil. Diversos artistas aclamados foram presos e não se renderam ao estado fascista. Muitas das maiores obras musicais do Brasil saíram dessa época, caracterizados por mensagens subliminares (para escapar da censura), revolta com o status quo e chamada do povo para participar da revolta.

Músicos ativistas

    Artistas são uma parte importante da sociedade não só por criarem arte, mas também por representarem conceitos e serem a voz da sociedade. Não é raro que músicos sejam ativistas ou participem de protestos, utilizando sua fama para atrair atenção à causas importantes.

    Esse seria mais um exemplo de porque uma música vai além de um .mp3. O artista que está por trás pode fazer a diferença não só na vida de uma pessoa como em toda a população.

    Alguns exemplos que unem música com ativismo: Rage Against the Machine, Rita Lee, U2, Emicida, Gilberto Gil, Racionais, Belchior, etc…
    Mas nem sempre há um ativismo inerente, muitas vezes o simples ato de uma pessoa existir e ser famosa já é um ato de resistência política. Artistas LGBTQ’s, não-brancos e mulheres quebraram (e continuam quebrando) barreiras impostas na nossa sociedade, aumentando a aceitação dos grupos que participam.

A música e o pessoal

Músicas baseadas em histórias pessoais

    Artistas muitas vezes criam músicas que expressam um sentimento (A Via Láctea - Legião Urbana), um momento pelo qual estão passando (Sober - Demi Lovato) ou mesmo uma homenagem à uma pessoa que já se foi (Tears in Heaven - Eric Clapton)

Exemplos específicos

    Algumas músicas e apresentações com fatores atrelados que as deixam mais interessantes
  • Engenheiros do Hawaii - Irradiação Fóssil (em homenagem ao pai do Humberto Gessinger)
  • Queen - Made in Heaven (álbum póstumo do Freddie Mercury, uma homenagem da banda)
  • Beatles - She Came in Through The Bathroom Window (baseado em fatos reais envolvendo o Paul)
  • Racionais - Capítulo 4, Versículo 3 (estatísticas citadas no início da música)
  • Belchior - Fotografia 3x4 (história da vida do Belchior ao sair do Nordeste para São Paulo)
  • Tim Maia e sua fase racional
  • Childish Gambino - This is America (protesto contra o racismo e o sistema capitalista)
  • The Animals - The House of the Rising Sun (música folclórica)
  • Nando Reis - O Segundo Sol (baseado em uma conversa com uma amiga do mesmo)
  • Geraldo Vandré - Pra não dizer que não falei das flores (música com crítica à ditadura e ao pacifismo)
  • Legião Urbana - Pais e Filhos (baseada em eventos reais)
  • Rage Against The Machine e o show da área vip

Parte 3 - Conclusão

    Essa parte é aberta para a discussão do que foi dito pelos participantes até agora.

Parte 4 - fontes e artigos de Interesse


[VICE] Nick cave on why AI will never write a great song

[The Verge] OpenAI’s MuseNet generates AI music at the push of a button

[CD Baby] Inteligência artificial pode competir com músicas feitas por humanos?

[Olhar Digital] Como a inteligência artificial está mudando a indústria da música

[Jazz Guitar Today] Is playing jazz cultural appropriation?

[Rolling Stones] Arte e ativismo: relembre bandas e atores que, ao defender causas, arrumaram problemas com autoridades