Alô, família Insenso! (Eu só tenho esse bordão) Continuando a saga de textos que produzi para a faculdade, aqui vai mais um em que relacione...

Twenty one pilots é um remédio de tarja branca



Alô, família Insenso! (Eu só tenho esse bordão) Continuando a saga de textos que produzi para a faculdade, aqui vai mais um em que relacionei Twenty one pilots com um documentário brasileiro sobre ludicidade, espero que gostem:

 

 Trabalho apresentado para a disciplina Teorias e Praticas da Educação Musical II, pelo Curso de Licenciatura em Música da Universidade Federal do Espírito Santo – UFES, ministrada pelo professor Alexandre de Freitas.


 

Produzido por Maria Farinha Filmes e dirigido por Cacau Rhoden, Tarja Branca (2014) é um documentário que traz para discussão um tema muitas vezes elencado como infantil, e deixado de lado quando se olha para a educação: o brincar. Com a participação de atores, jornalistas, músicos, educadores, entre outros, o documentário passa por questionamentos filosóficos e mostra a importância do ato de brincar, seja ele feito na infância ou na idade adulta. Quando pensamos em educação é comum que se diga que é um momento de seriedade, para prestar atenção e compreender o que está sendo ensinado, por isso para as pessoas, neste momento o brincar não pode estar presente. Porém, como o psicanalista Ricardo Goldenberg explica no documentário, não existe momento de maior seriedade e concentração do que quando estamos brincando, pois focamos totalmente no ato, e o levamos às últimas consequências. Então qual a melhor maneira de aprender do que brincando?



 

Trazendo o tema para música tem várias coisas para observar e discutir. No ensino tradicional de música, assim como no ensino em geral descrito acima, não existe espaço para brincadeira, pois para dominar a teoria musical e o instrumento, é necessário horas de dedicação assídua e “seriedade” nos estudos. Não que essas coisas não sejam importantes para o aprendizado musical, é verdade que para se desenvolver técnica, que é indispensável para tocar um instrumento musical, é preciso dedicar-se à muita repetição de exercícios e concentração. Porém, quando deixamos a brincadeira de lado nos momentos de performance musical, não estaríamos fazendo música, pois o ato de brincar é essencialmente uma arte. Fazer arte é brincar, fazer música deveria também ser. “Tanto a arte como o brincar possuem o mesmo núcleo, talvez o mesmo embrião” (PEREIRA, Maria Amélia, 2014).



Antônio Nóbrega, um dos entrevistados, explica o ato de brincar como “organizar o nosso mundo, criando um mundo paralelo ao qual a gente vive”, e isso é algo extremamente notável no mundo das artes. Um artista é aquele que cria um ser ou um mundo através de sua obra, logo um artista é nada mais que alguém que a todo momento põe a brincadeira em prática. 

 

Para reforçar esse conceito e concluir, tomo como exemplo a banda contemporânea americana Twenty One Pilots, que em seu repertório, ao longo dos álbuns de estúdio lançados, construiu um universo do qual o vocalista e principal compositor utiliza para metaforizar sentimentos como ansiedade, depressão e outras condições psicológicas, sendo assim ele organiza o próprio mundo, criando esse universo musical e lírico paralelo ao dele. O seguinte trecho da música “Bandito”, do álbum “Trench” lançado em 2018, deixa claro isso: “I created this world. To feel some control. “ em tradução direta “Eu criei este mundo para sentir algum controle”. A banda é reconhecida por músicas que passam pelos mais variados estilos musicais, e fazem performances grandiosas nos palcos, o que fez um crítico definir que a banda estava “brincando de fazer música” (GUERRA, Márcio, 2018)


Em conclusão, o ato de brincar não deve ser deixado de lado e nem ser somente associado à infância. Brincar é a maior forma de seriedade que uma pessoa pode ter com algo, é uma forma de se organizar, como dito no documentário Tarja Branca, é trazer o inconsciente para o consciente. Por isso possui um potencial educativo imenso, principalmente para a educação artística, pois brincar é indissociável e imprescindível da arte.

Alô família Insenso! Tem um tempo que não apareço por aqui com postagens não é? Pois é.  Mas retornei (sendo que ninguém pediu) com alguns t...

Influências da mitologia grega na música e religiosidade



Alô família Insenso! Tem um tempo que não apareço por aqui com postagens não é? Pois é. 

Mas retornei (sendo que ninguém pediu) com alguns textos que produzi nos meus últimos períodos na faculdade de música.

 

 Trabalho apresentado para a disciplina História da Música I, pelo Curso de Licenciatura em Música da Universidade Federal do Espírito Santo – UFES, ministrada pelo professor Érico Bomfim.

 

Na Grécia antiga, o surgimento da música estava ligada a mitologia, às divindades, e aos deuses e semi deuses gregos. Apolo era considerado o deus da música, e também era o deus do sol, do equilíbrio, da razão e da iluminação, muito ligado a beleza estética e perfeição. Apesar de sua origem estar relacionada a Apolo, a prática da música não era exclusiva dele, outro deus grego surge como forma de antítese: Dionísio, o Deus das festas e vinho, do excesso e caos, de tudo que escapa da razão. Na antiga cultura grega, essa dicotomia influenciou muito nas artes e religiosidade, tendo até um instrumento musical relacionado a cada um deles: Para Apolo a lira, um instrumento de cordas, considerado belo e harmonioso. Para Dionísio o aulo, um instrumento de palheta, com som estridente e considerado caótico.

 

 

Representação do Aulo

 

Representação da Lira


 

 



Existindo essa oposição na música e nos cultos, alguns filósofos da época começaram a discutir sobre os impactos da música na vida e no espírito das pessoas.



Platão e Aristóteles expressavam seu descontentamento com a música feita por aqueles que cultuavam Dionísio, pois para os filósofos a música era capaz de influenciar o caráter de alguém, era a ideia apresentada pela Doutrina de Ethos. Logo se a música tem tal poder sobre as pessoas, não se deveria ouvir e tocar músicas que fossem muito agitadas, com muitos instrumentos e "caóticas", pois influenciariam a pessoa a seguir este caminho na vida. Para se tornar uma boa pessoa seria necessário que se ouvisse uma música que trouxesse razão, beleza e iluminação para o espírito, ou seja uma música de Apolo. Sendo assim os filósofos chegaram a pregar uma expulsão da música de Dionísio da sociedade, no livro A história da música ocidental os autores Donald Grout e Claude Palisca demonstram isso:


  “A multiplicidade das notas, as escalas complexas, a combinação de formas e ritmos incongruentes, os conjuntos de instrumentos diferentes entre si, «os instrumentos de muitas cordas e afinação bizarra», até mesmo os fabricantes e tocadores de aulo, deverão ser banidos do estado.“ 


Os pensamentos e ideias que Platão e Aristóteles colocaram através da Doutrina de Ethos ecoaram nas práticas musicais e religiosas que se seguiram ao longo dos anos, mesmo em outras culturas.

A exemplo do cristianismo, que surge séculos mais tarde e depois acaba sendo o principal meio de prática e estudo da música na Europa. Existia a separação entre a música considerada sacra, aquela tocada e estudada dentro das igrejas e com propósitos religiosos, e a música considerada profana, feita fora da igreja e com os mais diversos propósitos, além do religioso. Os próprios nomes dados a esses tipos de música exaltam uma dicotomia e antítese, sacro é algo sagrado e venerável, e profano é o adjetivo dado às coisas que são opostas e alheias à religião. Ouvir música sacra seria bom para o espírito, as composições teriam que ser pensadas na iluminação, exaltando a religiosidade, pois assim se teria uma forma de elevação e de proximidade com o Deus cristão, mas ouvir música profana traria o contrário disso, afastaria a pessoa de Deus. Assim como antes os filósofos gregos sugeriram o banimento da música relacionada a Dionísio, os religiosos cristãos pregavam que a música profana deveria ser esquecida por todos.

“Por conseguinte, foram feitos todos os esforços não apenas para afastar da Igreja essa música, que traria tais abominações ao espírito dos fiéis, como, se possível, para apagar por completo a memória dela.” (GROUT, Donald J; Palisca, Claude. História da música ocidental. Lisboa: Bradiva, 2007. p. 16)

 

É possível notar como a dicotomia prevaleceu, apenas substituindo os nomes, mas com os mesmos significados, Apolo para os gregos seria o equivalente ao sacro para os cristãos da idade média, e Dionísio seria o profano, com relação à música. Essa dualidade em oposição perdura até a modernidade, o filósofo alemão Friedrich Nietzsche, em seu livro “O Nascimento da Tragédia” utilizou da dicotomia surgida na Grécia antiga para criar os termos Apolíneo e Dionisíaco que seriam forças opostas nas artes e criatividade. Para o filósofo, apolíneo seria um termo para aquilo que é comedido, e dionisíaco seria a paixão, ou uma falta de medida. Nietzsche usou os termos para explicar suas ideias e conceitos com relação à sociedade e religião, mas um ponto muito importante colocado por ele, é que não existe nada puramente apolíneo ou dionisíaco. Analisando a dicotomia na Grécia antiga e no cristianismo, pode-se perceber que esse pensamento de Nietzsche também aparece. Mesmo com a tentativa de banir a música referente a Dionísio, ela continuou a ser praticada e mais que isso, influenciou na música da época de tal modo que até hoje tem se registros disso. E a igreja que um dia pregou o esquecimento da música profana, anos mais tarde, conforme a música foi evoluindo, utilizou melodias e canções profanas substituindo as letras pelas missas.


A dicotomia está presente na história ocidental, e principalmente na história da música, ela tem sua importância para como a música foi mudando ao longos dos séculos até chegar no que se conhece hoje como música, e mesmo na atualidade pode se encontrar essa dicotomia, a música dionisíaca pode se encontrar na música popular, que um dia foi chamada de profana, e a música apolínea na música erudita, que um dia foi voltada para o sacro. Mas mesmo assim, nem uma delas é totalmente apolínea, nem totalmente dionisíaca, pois para que seja uma dicotomia, ambos os lados precisam existir.

Foto de Tokuo Nobuhiro   Eu estou morando nas suas paredes. Essa revelação pode lhe causar desconforto. Caso isso tenha ocorrido, por favor...

Eu estou morando nas suas paredes

Foto de Tokuo Nobuhiro

  Eu estou morando nas suas paredes. Essa revelação pode lhe causar desconforto. Caso isso tenha ocorrido, por favor leia o FAQ a seguir.

P: Por que você está morando nas minhas paredes?
R: Não vou te contar.

P: Você só está nas minhas paredes?
R: Poderia-se dizer que moro nas paredes de todo mundo, mas nesse caso estou dizendo que estou morando nas suas paredes, então Eu estou morando nas suas paredes

P: Como você sobrevive nas minhas paredes?
R: Na minha forma não física, rastejo por elas ouvindo você. Isso é tudo que preciso para sobreviver. No mundo físico, sobrevivo comendo cadáveres de ratos, que cozinho usando a parede atrás do seu fogão. Além disso, Eu bebo o vapor no box do seu banheiro.

 P: O que você planeja fazer nas minhas paredes?
 R: Viver nelas e ouvir você.

 P: O que eu faço quanto a você morar nas minhas paredes?
 R: Ouça o barulho da raspagem. Não toque nas paredes. Proteja-se. Evite luz de velas.

 P: Quando você vai parar de morar nas minhas paredes?
 R: Você não vai escapar de mim.

 P: Devo chamar a polícia?
 R: As autoridades são inúteis.

 P: Quais são as consequências de você morar nas minhas paredes?
 R: Fique atento.

 P: E se eu não tiver problemas com você morar nas minhas paredes?
 R: Farei questão que tenha.

 P: Você é um ser imaginário?
 R: EU ESTOU MORANDO NAS SUAS PAREDES EU ESTOU MORANDO NAS SUAS PAREDES EU ESTOU MORANDO NAS SUAS PAREDES EU ESTOU MORANDO NAS SUAS PAREDES EU ESTOU MORANDO NAS SUAS PAREDES EU ESTOU MORANDO NAS SUAS PAREDES EU ESTOU MORANDO NAS SUAS PAREDES EU ESTOU MORANDO NAS SUAS PAREDES EU ESTOU MORANDO NAS SUAS PAREDES EU ESTOU MORANDO NAS SUAS PAREDES

 Se houverem mais perguntas, por favor consulte suas paredes conversando com elas diretamente.

 Resumo:
 Eu estou morando nas suas paredes.

Atenção: o artigo a seguir fala sobre assédio assexual e abuso de poder , além de citar mortes . Se você tem sensibilidade à algum desses ...

Blizzard transformou sua própria festa num enterro

Atenção: o artigo a seguir fala sobre assédio assexual e abuso de poder, além de citar mortes. Se você tem sensibilidade à algum desses tópicos, não recomendamos a leitura.

Desenho de cinco acentureiros machucados chegando na cidade medieval de Ventobravo. Eles estão cansados, alguns tem braços quebrados e roupas esfarropadas. Há um gnomo, um anão, uma draenei, um elfo noturno e uma humana.
Imagem original: Blizzard, trailer de "Juntos em Ventobravo"

    Hearthstone, o famoso jogo de cartas colecionáveis virtual da Blizzard, marcou o primeiro semestre desse ano com o lançamento da expansão Forjados nos Sertões. O novo conjunto não só trouxe cartas inéditas, como mudanças em toda a estrutura do jogo e o início de uma história que vamos acompanhar até a terceira e a ainda misteriosa última expansão do ano. Além disso, a expansão tinha uma temática forte que acertou em cheio o coração de diversos jogadores - a Horda, um grupo de guerreiros ferozes, e a experiência do World of Warcraft (WOW, outro jogo da Blizzard) para iniciantes.

    No início desse mês foi anunciada a segunda expansão do ano: Juntos em Ventobravo. Focado na Aliança, um grupo de soldados honrados, e na experiência dos jogadores de WOW durante os "níveis médios". A revelação de cartas, como é de hábito, teve início em anúncios da própria Blizzard, e depois foi se expandindo para criadores de conteúdo de Hearthstone. Streamers, podcasters e sites de notícias divulgavam as cartas que lhe foram encarregadas de acordo com o cronograma definido pela Blizzard. À cada revelação, a comunidade se juntava para comentar e discutir novas possibilidades, estratégias ou só pra fazer memes mesmo. A expansão contava com muitas cartas interessantes ou engraçadas (as vezes os dois) e o hype estava nas alturas. Tudo correu muito bem até aquela fatídica quinta-feira, dia 23 de julho.

    Na manhã desse dia, a Bloomberg, grande portal estadunidense de notícias, publicou uma reportagem sobre um processo que a Blizzard estaria sofrendo, movido por um departamento de justiça da Califórnia, por fazer vista grossa para uma cultura machista entre seus funcionários.
    Ao primeiro olhar, pode ser apenas mais uma daquelas notícias que não causam choque mais. O que seria essa 'cultura machista'? Dar salários menores para mulheres? Não demitir alguém que assediou uma funcionária? Ou seria outra coisa que, infelizmente, se tornou comum ser revelada em grandes desenvolvedoras de jogos? (olhando para vocês, Riot e Ubisoft). Acontece que, de acordo com as acusações, aconteceram coisas dentro da Blizzard piores, MUITO piores do que poderíamos imaginar.

    Entrando em detalhes sobre as acusações: haveria o hábito, entre alguns funcionários homens, de ficar bêbado e sair pelos escritórios dando em cima de funcionárias, fazendo piadas inapropriadas sobre sexo. Alguns superiores também teriam passado dias jogando vídeo-games enquanto encarregavam funcionárias de cobrir suas responsabilidades. Estruturalmente, a empresa também evitava dar promoções para funcionárias, "pois elas poderiam ficar grávidas" e reclamava quando mães saiam mais cedo para buscar sua criança na escola. Há também relatos de que salas de amamentação eram utilizadas por homens para a realização de reuniões.
    No caso mais extremo registrado nos arquivos do processo, uma funcionária teria cometido suicídio durante uma viagem à trabalho com um superior após sofrer extremo assédio sexual, incluindo ter tido nudes vazados durante uma festa de natal da empresa. Após investigação, a polícia teria descoberto que o superior dela levou lubrificante e brinquedos sexuais para a viagem.

    É importante, por tanto, ressaltar aqui que o processo não é feito apenas em cima de uma ou duas acusações (o que já seria o suficiente, diga-se de passagem). Não se pode dizer que x pessoa fez isso por vingança ou para chamar atenção. A investigação, que começou há mais de dois anos, junta relatos, investigações policiais e informações de fontes de dentro da empresa. Há inclusive a citação de pessoas específicas que teriam sido responsáveis pelos assédios, o que mostra que ninguém tá de brincadeira nessa situação. O pior é que essa cultura já seria muito antiga na empresa, precedendo mesmo a aquisição dela pela gigante Activision.

    Bem, evidentemente essa notícia não pegou bem para a empresa. A reportagem caiu como uma bomba sobre o colo de diversas pessoas que gerenciam comunidades relacionadas à Blizzard ou que possuem alguma ligação, mesmo que não contratual, com a gigante desenvolvedora de jogos. As cartas continuavam a ser reveladas de hora em hora enquanto as pessoas iam, pouco a pouco, tomando conhecimento do que acontecia dentro da desenvolvedora do jogo. "É muito estranho ver essa notícia em meio às revelações de cartas", disse um usuário do Reddit comentando a reportagem da Bloomberg no fórum r/hearthstone. Não demorou muito para alguém parar e dizer "não dá pra continuar com esse clima de comemoração numa situação dessas", e essa pessoa foi a streamer/youtuber Alliestraza. Foi aí que o barraco desabou.

   O cronograma de revelações estava sendo seguido normalmente, até que uma carta foi removida subitamente do site. Ninguém entendeu o que havia acontecido e começaram a circular algumas piadas como "vão nerfar o card antes de lançar". Pouco tempo depois, chegou a hora da próxima carta ser revelada, e o site do Hearthstone indicava que isso aconteceria no canal da Alliestraza, mas o tempo foi passando, passando, passando... E nenhum vídeo apareceu lá pra mostrar a tal carta nova.

    Em um vídeo no seu twitter, Alliestraza, que já participou de diversos eventos da Blizzard e revelou cartas em expansões anteriores, explicou que não iria revelar sua carta naquele dia, pois não era a hora para isso, e então falou sobre o processo, as acusações de assédio e outros tópicos relacionados. Ela recebeu o apoio de diversas pessoas da cena e até mesmo de famosos funcionários da equipe Hearthstone, como Celestalon (um dos principais membros) e Songbird_HS (uma das responsáveis pelas ideias por trás de cada expansão). Não demorou muito para a próxima pessoa encarregada de revelar um card, Lt. Eddy, confirmar que também não iria revelar sua carta. O portal PC Gamer, discretamente, jogou sua revelação para outro dia. E aí o caos se instaurou na comunidade. Será que ainda teríamos mais revelações? O que a Blizzard vai fazer?

    Naquela quinta, a única revelação que ocorreu depois do tweet da Alliestraza foi a carta do Tesdey, streamer/youtuber brasileiro, que fez um vídeo explicando a polêmica e apoiando aqueles que decidiram não revelar a carta. Ele também explicou que ainda faria a revelação porque contou com a ajuda de 4 familiares/amigos para produzir o vídeo da revelação e que não iria desistir dele por algo que estava totalmente fora de seu alcance. Assistindo o vídeo dá pra perceber que realmente teve muito forço envolvido naquilo, e ficou muito bom.

    Enfim, na sexta as revelações voltaram, mas com muitas pessoas cancelando as suas ainda. É importante notar que nunca havia acontecido algo assim antes numa expansão de Hearthstone, então todo mundo está perdido, incluindo a própria Blizzard, que não sabe o que faz agora com a típica "grande stream" de revelação de cards, onde eles mostram todas as cartas que faltaram ser reveladas. A expansão saí dia 1 de Agosto e até agora não temos uma nota oficial da empresa dizendo como as cartas serão reveladas. A stream estava marcada para hoje, mas foi cancelada faltando 30 minutos para iniciar, o que é compreensível já que não há clima para um criador de conteúdo ir lá falar de cartinhas para uma empresa acusada de apoiar uma cultura machista (eu nem quero imaginar como seria o chat dessa transmissão).
    Ou seja, o clima de festa pré-expansão ficou, de uma hora para a outra, extremamente mórbido.    

    Os moderadores de fóruns ligados à jogos da Blizzard, como r/Hearthstone, r/wow e r/Overwatch se uniram para lançar uma nota única falando sobre as acusações e esperando uma medida concreta da empresa para combater essa cultura machista. Muitas pessoas já cancelaram sua pré-compra da expansão, que inclui 80 pacotes da novo conjunto com um desconto próximo do 50%, em protesto à conduta da Blizzard. Há aqueles que acham um exagero não revelar a carta por causa desse processo, que reclamam de uma hipocrisia pelas pessoas que cancelaram a revelação ainda fazerem stream do jogo, etc... Todas essas coisas que vem dessa cultura do "refutado" da internet. Há streamers que construiram sua fama em cima do Hearthstone, não tem como eles pararem de jogar do nada e perder sua maior fonte de renda, além do mais, isso não impede que eles reclamem do que a Blizzard fez. Assim como viver numa sociedade não impede que você critique ela.

    A comunidade do jogo, no geral, tem apoiado os criadores de conteúdo que cancelaram suas revelações de cartas, mas há aquele 10% que preferem ver uma cartinha do que apoiar uma luta contra o machismo. Já cheguei a ver uma pessoa dizendo que cancelou a pré-compra não pelas acusações do processo, mas sim pela forma que a Blizzard gerenciou o processo de revelação (eles acham que ela deveria simplesmente postar a carta que não foi revelada e tacar o foda-se). Meu deus, o chorume que é a sessão de comentários dos posts falando sobre isso...

    Durante o final de semana, alguns ex-funcionários da Blizzard  postaram em suas redes sociais sobre assédios que sofreram lá dentro. A lista de pessoas é longa e não inclui apenas mulheres: outros homens também relataram assédio sexual de seus superiores. Segundo o ÓTIMO repórter Jason Schreier (sério, leia os artigos desse cara sobre o making of de alguns jogos que floparam), o sentimento geral entre os funcionários da Blizzard é de revolta. Emails tem circulado de lá pra cá falando sobre o que deve ser feito e quem são os culpados. Entre os trabalhadores, que receberam um email do presidente da empresa falando sobre a importância da inclusão, estaria circulando um antigo vídeo onde, durante uma sessão de perguntas e respostas numa convenção, uma fã do WOW pergunta se as personagens um dia parariam de ser retratadas como se tivessem saído de um catálogo de lingeries. Ela é respondia pelos membros da empresa com risadas e piadas, e sai humilhada da situação. Dentre os funcionários da Blizzard que estavam lá, havia o atual presidente da empresa J. Allen Brack.
    Ainda hoje, dia 26/07/2021, cerca de 1000 funcionários e ex-funcionários da empresa assinaram um manifesto rejeitando as respostas que a Blizzard deu para as acusações e pedindo ações mais concretas.

    Enfim, vamos ver  o que a Blizzard fará com essa batata quente. Esperamos que todos os culpados sejam devidamente punidos, isto é: que a empresa tenha que pagar uma multa gigante para todos aqueles que sofreram pela sua impotência diante de algo tão maligno, e que todos os assediadores reconhecidos pelo processo, caso definidos como culpados pela justiça, sejam presos. 

    Posts pelos quais você pode se interessar:

 

 Saudações, camaradas!      Ano passado esbarrei numa lista de itens mágicos que poderiam ser dados aos jogadores para zoar eles. Ri tanto ...

Uma lista de itens mágicos inúteis, mas engraçados

Colagem de artes de itens mágicos, incluindo: adaga com aura roxa, anel com uma peróla brilhante, apito de cachorro com uma aura azul, berrante mágico, pergaminho misterioso, botas pretas com uma aura roxa, colar com um cristal azul, martelo que emite raios e uma ponta de cajado que é uma aguia com olhos brilhantes

 Saudações, camaradas!

    Ano passado esbarrei numa lista de itens mágicos que poderiam ser dados aos jogadores para zoar eles. Ri tanto com as ideias que resolvi criar uma lista delas. O tempo passou e recentemente decidi retomar o trabalho, chegando ao número de 90 itens mágicos inúteis, mas engraçados :p

    A lista inclui coisas totalmente inúteis (como a poção da refrescância - que é só água mesmo), coisas mágicas com defeitos (anel que detecta o item mágico mais próximo, com um alcance que inclui ele mesmo), inconvenientes (Sapato do Saltear, remove sua habilidade de andar e permite pulos mais distantes) e outras que, na situação certa e com o pensamento certo, podem fazer a diferença (Cálice do Consumo, que devora tudo que for colocado dentro dele). Sinta-se livres para mudar o nome, efeito e aparência de cada objeto. Descrevi eles de forma mais simples possível justamente para que se encaixem facilmente na maioria dos sistemas.

    A maioria dessas ideias veio do Reddit, 1d4chan e do fórum GiantTitp. A lista original, com o comentário fonte de cada item, pode ser acessada através desse link. Isso não quer dizer que é onde a ideia foi criada, já que esses conceitos foram espalhados por aí ao longo do tempo (como muitas coisas em rpg's de mesa).
    Ah, também coloquei algumas artes do jogo Hearthstone para ilustrar o texto. Elas servem apenas para lhe inspirar, você ainda pode descrever o item como quiser (e mudar o que quiser sobre ele, seja feliz).
    Sem mais delongas, vamos à lista:

Capa do álbum Aqualung (1971), Jethro Tull ______________________________ Lado A:                       | 1. Aqualung (6:38) |...

A acidez de Aqualung

Capa do álbum Aqualung: um mendigo com roupas longas, cabelos bagunçados e barba grande sorri enquanto coloca a mão dentro do casaco numa rua suja
Capa do álbum
Aqualung (1971), Jethro Tull
______________________________
Lado A:                       |
1.  Aqualung (6:38)           |
2.  Cross-eyed Mary (4:09)    |
3.  Cheap Day Return (1:23)   |
4.  Mother Goose (3:53)       |
5.  Wond'ring Aloud (1:56)    |
6.  Up to me (3:16)           |
Lado B:                       |
1.  My God (7:13)             |
2.  Hymn 43 (3:19)            |
9.  Slipstream (1:13)         |
10. Locomotive Breath (4:26)  |
11. Wind-up (6:04)            |   
______________________________|
Duração total: 43 min 
Gravadora: Chrysalis Records
Gêneros: Rock Progressivo, Folk Rock;

 Jethro Tull faz um rock progressivo diferente. Sim, eu sei que esse é o ponto do movimento. O que estou querendo dizer é que o tipo de história contada nas primeiras duas músicas de Aqualung é totalmente diferente do tipo de história contada, por exemplo, no álbum The Wall, do Pink Floyd. Pra falar a verdade, Cross-eyed Mary faz o sofrimento da história contada pela banda de Roger Waters e David Gilmour parecer problema de gente da classe média (e talvez seja mesmo).
 O álbum pode ser divido em três partes, mesmo que só tenha lado A e B. Se bem me lembro, a partição por temas seria assim:

Crítica social foda{
1. Aqualung
2. Cross-eyed Mary 
10. Locomotive Breath 
}
Biografia {
3.  Cheap Day Return 
4.  Mother Goose 
5.  Wond'ring Aloud
6.  Up to me   
}
Religião {
1.  My God
2.  Hymn 43
9.  Slipstream 
11. Wind-up
}
 
 Essa divisão é o motivo dos autores insistirem que "não se trata de um álbum conceitual", mas isso não impede que os temas sejam repetidos entre as músicas.
Contendo temas como moradores de rua e prostitutas menores de idade, Aqualung tem um aspecto ácido, como se existisse alguma culpa em estar ouvindo ele. As coisas são ditas sem pudor, mas sem exagero, deixando um espaço para ambiguidade.
 Na primeira música, conhecemos Aqualung e a agonia de viver na rua. O frio do inverno, uma dor na perna, a loucura, tudo isso enquanto ele encara meninas com um olhar malicioso.
Na segunda música, já conhecemos outra personagem: Cross-eyed Mary (ou Maria Vesga, segundo a galera do CMM). Uma garota que sai com homens ricos e faz abortos clandestinos. Na letra diz que ela ajuda os homens pobres a seguir a vida (e existe uma discussão se ela faz isso dando dinheiro ou oferecendo seus serviços gratuitamente). Lendo a letra, você pode pensar "ok, nojento", mas essas coisas não deixam de ser reais, você pode ter certeza que existe algumas Marias vesgas pelo mundo. Aqualung nos faz encarar essa realidade.

Abrindo um parêntese musical, o som do álbum é bem consistente. Você pode dividir ele em quatro blocos:

[Bateria], [Baixo/Teclado], [Guitarra/violão] e [voz/flauta]


Claro que, se tratando de um álbum progressivo, vão existir alguns momentos em que essa "regra" é quebrada, como em Cheap Day Return, onde o violão é acompanhado de um breve riff de guitarra.

O que vemos nessa segunda parte é uma coisa mais pessoal, algo vivido pelo autor. Não do tipo "minha infância foi assim" ou "como virei músico", mas sim "esses dias tava andando na rua e pensando numa coisa...". Até por isso são músicas mais calmas e serenas. A flauta tem uma presença marcante em Up To Me com seu ritmo mais acelerado.

Já a parte da religião é bem o contrário. É onde o escritor simplesmente destila o ódio que ele sente da igreja. O colonialismo que e as pessoas que 'matavam em nome de Deus' deixaram a cruz marcada de sangue. A hipocrisia dos religiosos e da igreja, que moldam Como na música My God: "He is the God of nothing / If that's all that you can see / You are the God of everything / He's inside you and me". Tem várias críticas que são feitas ainda hoje em dia

Oh Jesus, save me!

 Aqualung, ainda que seja um álbum delicioso, deixa um gosto amargo. Se bem que talvez isso seja o que torna ele tão interessante. De qualquer forma, é sempre bom ver um álbum de uma banda (então) iniciante ser tão bem executado e bem sucedido. A melhor parte é que, apesar da insistência dos membros do grupo, todo mundo falava que era um álbum conceitual. A Jethro Tull falou "foda-se" e lançou um álbum conceitual em seguida - sobre um garoto que é expulso da escola por vender revistas com material pornográfico ou algo assim. Ingleses, né?