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Os efeitos​ ​da​ ​radiação​ ​na​ ​natureza

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Sobreviventes


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Sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki

Logo após o acidente, pessoas que tiveram contato com radiação devem ser tratadas imediatamente. O processo de descontaminação se inicia com a checagem do nível de radiação da pessoa, então, ela passa por uma lavagem de água, sabão e vinagre. Em seguida, ela deve fazer exercícios físicos (como uma corrida na esteira) para que ela produza muito suor, o que vai diminuir a radiação em seu organismo. Em casos mais graves, a pessoa deve ingerir Sal azul da Prússia para que a radiação seja não só expelida pela urina, mas também pelas fezes, o que acelera a saída da radioatividade do seu corpo. Quando uma pessoa chega a esse ponto, ela com certeza estará sob observação de especialistas, para que eles determinem o que e melhor na situação. [Descontaminação de pessoas que entram em contato com a radioatividade]


Efeitos​ ​a​ ​longo​ ​prazo


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Coisas horríveis podem acontecer com aqueles que não passam pelos processos ideais de descontaminação, sendo que alguns demoram anos para aparecer. Os tumores são um exemplo: quando o ser humano entra em contato com quantidade significativa de radioatividade, é bem provável que a radiação acabe "embaralhando" o relógio biológico de algumas células, que faz com que elas cresçam desordenadamente. Detalhe: o tumor não aparece antes de 10 anos do contato com a radioatividade. [Os efeitos da radioatividade no corpo humano]
O maior problema, no entanto, se encontra nas futuras gerações. Um estudo recente indica que se um bebê, ainda na barriga da mãe, receber uma certa dose de radiação, as chances dele desenvolver câncer quando mais velho são muito maiores.
Ao que parece, em alguns estágios os fetos são mais resistentes a certos tipos de radiação. Mulheres que estavam grávidas e foram expostas às bombas de Hiroshima e Nagasaki deram a luz (em sua maioria) a crianças com certo tipo de retardamento mental.
Se um bebê, antes da 2o semana de gestação, receber uma pequena quantia de radiação (algo em torno da radiação liberada em 500 radiografias de torax) é muito provável que ele venha a óbito.
Se o bebê estiver entre a 2o e a 18o semana de gestação, a mesma quantidade de radiação pode fazer com que ela desenvolva alguma deficiência no cérebro.
A partir da 18o semana de gestação, é preciso muito mais para que a criança seja prejudicada de alguma maneira.[Radiation and Pregnancy: A Fact Sheet for the Public]

Animais​ ​de​ ​Chernobyl


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Nos primeiros momentos após um acidente nuclear, toda a região em volta do local, num raio de cinco quilômetros, pode ser considerada imprópria para vida e de extremo risco [Plano polêmico]. Não demora muito para que a contaminação chegue também às águas, sendo elas de aquíferos ou rios próximos ao local do acidente. Esse já é o início de um caminho sem volta: a decadência de uma célula da natureza. Para começar a visualizar o quadro geral da influência da radiação no meio ambiente, podemos partir nossa observação das menores raças.
Os pássaros, por exemplo, são alvos de diversas pesquisas empíricas sobre o assunto, e através da observação das espécies em diferentes locais das áreas de risco, podemos observar alguns efeitos gravíssimos da influência da radiação. Um exemplo é o aumento do nascimento de pássaros albinos entre a população total de aves do local [Strong effects of ionizing radiation from Chernobyl on mutation rates]. De fato os pássaros machos têm demonstrado uma produção deficiente de esperma, sendo que, a medida que nos aproximamos da área do acidente, a situação parece piorar, podendo ir de espermas com deficiência à até mesmo pássaros que não os produzem mais. Na maioria das áreas radioativas 40% dos pássaros machos se encontram estéreis [Os impactos da radioatividade na fauna de Chernobyl]. Um exemplo de deficiência entre a nova geração dos pássaros é o aumento de indivíduos com catarata ou cérebros menores que o habitual. Para se ter uma ideia do nível da situação, o número de espermas anormais de pássaros em zona de exclusão em relação a pássaros de zonas de controle chega a ser 10 vezes maior. E os problemas não se encontram somente no esperma, o número de pássaros com tumores visíveis a olho nu é incrivelmente maior do que aqueles que vivem em áreas de controle[Developmental Effects: Albinism, Asymmetry, Brain Size, Cataracts, Sperm, and Tumors].
De fato, é possível dizer há um tipo de troca, onde a qualidade do esperma decai enquanto a chance de sobrevivência sobe [Patterns of sperm damage in Chernobyl passerine birds suggest a trade-off between sperm length and integrity].
Outros animais menores, como as borboletas, também demonstraram uma diminuição na população, assim como os gafanhotos, libélulas e abelhas. A quantidade de indivíduos continuava caindo mesmo vinte anos após o acidente.
É interessante observar o exemplo das aranhas, em que a população total aumentou muito na mesma semana e em locais próximo do acidente, isso provavelmente se dá pela falta de predadores. Porém, a longo prazo, o número total de aranhas começou a diminuir, mostrando que, apesar do que o conhecimento popular diz, lugares que estão perto de acidentes nucleares não possuem uma grande população de animais – muito pelo contrário[Abundance and Diversity of Birds, Butterflies, and Other Invertebrates].
No entanto, o que acontece não é um padrão que se espalha para todas as espécies. A população total de lobos da região, por exemplo, parece não ter sido afetada pela radiação[Os impactos da radioatividade na fauna de Chernobyl].
E, por mais estranho que pareça, os animais de caça tem se saindo bem no ecossistema de Chernobyl, um exemplo são os veados, espécie que teve a população aumentada em 7 vezes (aproximadamente) entre 1988 e 1993, sendo que, no ano do acidente, nem mesmo haviam veados no local [Long-term census data reveal abundant wildlife populations at Chernobyl]. Isso provavelmente ocorre pela falta de concorrência e caçadores, o que oferece, para esses animais, um ambiente com muita comida e pouco risco, ideal para a reprodução.

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Outros​ ​Lugares


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Muito longe de Chernobyl, também é possível encontrar efeitos da radiação originada no acidente do 4o reator. Na Alemanha, os Javalis, outrora caçados por sua carne que era considerada uma iguaria, agora inspiram muito medo na população. Isso porque uma análise recente constatou que mais de um entre três javalis possuem traços de radiação em seu corpo – o suficiente para eles serem considerados impróprios para o consumo humano. Importante denotar que isso ocorre na cidade de Saxony, Alemanha, que fica a mais de 1000km de Chernobyl, acredita-se que a radioatividade chegou até lá através do vento e das chuvas. Esse fator tem prejudicado a economia de uma parte da população alemã, os caçadores de javalis, que agora recebem uma indenização do governo por cada caça que foi identificada como imprópria para o consumo humano devido a radiação. [Radioactive wild boar roaming the forests of Germany]
A situação é parecida em Fukushima, alguns padrões de decaimento populacional são perceptivelmente iguais, como a queda da população de pássaros e borboletas. Fukushima liberou muito menos radiação que Chernobyl, o que pode explicar porque a quantidade animais característicos do local ainda é maior do que dos animais que não são originários dali. Em Chernobyl, a maior parte dos animais é imigrante e carnívora, enquanto em Fukushima, a maior parte dos animais é herbívora e característica do local [Ecological differences in response of bird species to radioactivity from Chernobyl and Fukushima].


Plantas


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Para as plantas, a situação é muito mais complicada. Uma vez que elas não
podem se mover para um local onde a radiação é menor, ou mesmo inexistente, a situação é se adaptar ou morrer.
Importante notar que a maior parte da zona de exclusão de Chernobyl é composta de florestas, principalmente de pinheiros, essas árvores são muito importantes cientificamente e economicamente, através delas é possível, por exemplo, saber o ano em que ocorreu o acidente na usina.[Chernobyl's legacy recorded in trees]
A população pouco a pouco vai voltando a ocupar as fazendas que estavam
abandonadas, bombeiros tem vigiado o local, combatendo incêndios que ocorrem uma vez ou outra, sendo que, algumas vezes, o incêndio é radioativo e eles contam com um material muito básico, que acaba os expondo a radioatividade.
Cientistas têm se impressionado com a evolução das plantas em relação à radiação, eles acreditam que se trata de um fator muito antigo:
“[Deve haver] algum tipo de mecanismo que as plantas já tinham dentro delas. Radioatividade sempre esteve presente aqui na terra, desde os primeiros passos para a criação desse mundo. Havia muito mais radiação na superfície antes do que agora, então enquanto a vida estava evoluindo, provavelmente essas plantas já enfrentavam a radioatividade e aí desenvolveram algum mecanismo que agora está presente nelas”

- Martin Hajduch, da Academia Eslováquia de ciência [Chernobyl plant life endures radioactivity]


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